quinta-feira, 15 de abril de 2010

Vivências com a natureza

A partir do seguinte questionamento:
Como me relaciono com a natureza no dia-a-dia?
Vivenciar as seguintes situações com a natureza.
Encontre a sua árvore
De olhos vendados uma aluna(o) é orientada para explorar
uma árvore, cheirar, abraçar, tatear para sentir a sua
singularidade.
Após voltam para o local de saída e tiram a venda do colega.
Ele terá que descobrir qual a sua árvore.
Todos devem passar pela experiência.





Fotos da turma 41 C - 2010


































O passeio da lagarta

Usam a venda nos olhos e em fila, com os braços nos ombros uns dos outros, são guiados por um colega condutor, em um caminho sinuoso e com algumas
paradas para cheirar, coletar, erguer os braços, ouvir pássaros, outras vivências. Após tirarem as vendas devem ser incentivados a desenhar o traçado do caminho e identificar as paradas com uso de símbolos. Fotos da turma 31 A/2010
Essas experiências tem o objetivo de despertar o interesse e o contato direto com a natureza. Concentrar a atenção, explorar e orientar a percepção auditiva, sensorial.

Observação de pássaros

As crianças usando um canudo de papelão (papel higiênico ou papel toalha), como se fosse um telescópio, saem para a praça ou pátio da escola para observar pássaros. Após identificam pelo som, cores, em livros de animais, sites internet. O registro pode ser foto, filmagem, desenho, identificando-os. Após fazer uma exposição.

Miniexcursão
Uma experiência em pequenos espaços, onde os alunos de bruços, analisam cada centímetro da trilha com uma lupa observam formigas, aranhas, flores, folhas, minúsculas. Chame atenção para este pequeno mundo que estão entrando em contato. Após fazer uma lista dos elementos observados, pesquisar sobre eles, criar diversos tipos de texto, informativo, poesia, descritivo, narrativo, desenho, entre outros. Expor no varal da turma.
Fonte: Vivências com a natureza - Joseph Cornell _ Gui de Atividade para pais e educadores-Ed. Aquariana
Relacionar com a cultura indigena no dia do índio é uma ideia criativa.
Rita Mendonça "O educador ambiental ensina por suas atitudes"
Divulgadora no Brasil de uma nova metodologia de educação ambiental, a bióloga e socióloga acredita que o professor deve explorar a natureza com os alunos e compartilhar com eles suas impressões Nova Escola – 03/2006
PRINCÍPIOS PEDAGÓGICOS DA SHARING NATURE

1- Ser receptivo:
Esteja atento ao seu entorno natural o tempo todo. Pergunte-se: “Neste lugar, que tipos de experiências inspiradoras a Natureza tem para oferecer?”. Crie oportunidades para que as pessoas elevem sua consciência por meio das experiências com a Natureza. Seja receptivo tanto às expressões das pessoas quanto às da Natureza.

2- Ensine menos e compartilhe e experiencie mais.
Deixe a Natureza ser a mestra o máximo possível. Esteja atento à sua própria experiência e compartilhe-a. Deixe para falar sobre seus conhecimentos depois.

3- Um sentimento de alegria deve permear a experiência.
Há dois tipos de alegria: a exuberante, da brincadeira e do riso, e a profunda, que vem de sentimentos serenos e expansivos. Cada Vivência com a Natureza deve incluir pelo menos alguns momentos de alegria profunda.

4- Faça com que seu idealismo torne-se prático.
Use as atividades com a Natureza e o Aprendizado Seqüencial para captar a atenção plena e o interesse das pessoas. Então, delicadamente conduza-as e inspire-as para experiências mais profundas com a Natureza.

5- Eleve a consciência das pessoas.
É somente elevando a consciência das pessoas que você verdadeiramente modifica a maneira delas se relacionarem com o mundo à sua volta. Então, concentre-se prioritariamente em aprofundar a percepção e o amor das pessoas pela Natureza.

6- Aja com a Natureza e não para ela.
Compartilhe o verdadeiro espírito da Natureza com os outros; isso é o que realmente as transforma. Dedique tempo todos os dias aprofundando sua própria experiência e relacionamento com a Natureza, para que você possa compartilhá-los.
Joseph Cornell

O Dia Mundial do Meio Ambiente foi instituido pela ONU em 1972. Ele faz referência à 1ª Conferência Mundial de Meio Ambiente que aconteceu em Estocolmo, na Suécia, em 5 de junho. Naquela ocasião representantes de diversas nações reuniram-se com o objetivo de discutir a responsabilidade e o papel de cada país na contenção do descontrole ambiental.











































quarta-feira, 14 de abril de 2010

A sabedoria indigena por dentro




A milenar arte de educar dos povos indígenas

Daniel Munduruku · Lorena (SP) · 15/5/2009

Educar é dar sentido. É dar sentido ao nosso estar no mundo. Nossos corpos precisam desse sentido para se realizar plenamente. Mas também nossos corpos são vazios de imagens e elas precisam fazer parte da nossa mente para possamos dar respostas ao que se nos apresenta diuturnamente como desafios da existência. É por isso que não basta dar alimento apenas ao corpo, é preciso também alimentar a alma, o espírito. Sem comida o corpo enfraquece e sem sentido é a alma que se entrega ao vazio da existência.
A educação tradicional entre os povos indígenas se preocupa com esta tríplice necessidade: do corpo, da mente e do espírito. É uma preocupação que entende o corpo como algo prenhe de necessidades para poder se manter vivo.
Esta visão de educação é sustentada pela idéia de que cada ser humano precisa viver intensamente seu momento. A criança indígena é, então, provocada para ser radicalmente criança. Não se pergunta nunca a ela o que pretende ser quando crescer. Ela sabe que nada será se não viver plenamente seu ser infantil. Nada será por que já é. Não precisará esperar crescer para ser alguém. Para ela é apresentado o desafio de viver plenamente seu ser infantil para que depois, quando estiver vivendo outra fase da vida, não se sinta vazia de infância. A ela são oferecidas atividades educativas para que aprenda enquanto brinca e brinque enquanto aprende num processo contínuo que irá fazê-la perceber que tudo faz parte de uma grande teia que se une ao infinito.
Num mesmo movimento ela vai sendo introduzida no universo espiritual. Embalada pelas histórias contadas pelos velhos da aldeia, a criança e o jovem passam a perceber que em seu corpo moram os sentidos da existência. Este sentido é oferecido pela memória ancestral concentrada nos velhos contadores de histórias. São eles que atualizam o passado e o fazem se encontrar com o presente mostrando à comunidade a presença do saber imemorial capaz de dar sentido ao estar no mundo.
Este processo todo é alimentado por rituais que lembram o passado para significar o presente. São movimentos corpóreos embalados por cantos e danças repetidos muitas vezes com o objetivo de “manter o céu suspenso”. A dança lembra a necessidade de sermos gratos aos espíritos criadores; contam que precisamos de sentidos para viver dignamente; ordena a existência. Cada grupo de idade ritualiza a seu modo. Cada um se sente responsável pelo todo, pela unidade, pela continuidade social.
Educar é, portanto, envolver. É revelar. É significar. É mostrar os sentidos da existência. É dar presente. E não acaba quando a pessoa se “forma”. Não existe formatura. Quem vive o presente está sempre em processo.
É por isso que a criança será sempre criança. Plenamente criança. Essa é a garantia de que o jovem será jovem no seu momento. O homem adulto viverá sua fase de vida sem saudades da infância, pois ele a viveu plenamente. O mesmo diga-se dos velhos. O que cada um traz dentro de si é a alegria e as dores que viveram em cada momento. Isso não se apaga de dentro deles, mas é o que os mantém ligados ao agora.
Resumo da ópera: A educação tradicional indígena tem dado certo. As pessoas se sentem completas quando percebem que a completude só é possível num contexto social, coletivo. Cada fase porque passa um indígena – desde a mais tenra idade – alimenta um olhar para o todo, pois o conhecimento que aprendem e vivem é um saber holístico que não se desdobra em mil especialidades, mas compreende o humano como uma unidade integrada a um Todo maior e Único.
Olhar os povos indígenas brasileiros a partir de uma visão rasa de produção, de consumo, de riqueza e pobreza é, no mínimo, esvaziar os sentidos que buscam para si.
Pense nisso.

Daniel Munduruku e Beth Serra - Presidente da FNLIJ
ORAÇÃO LAKOTA
Wakan Tanka, Grande Mistério,
Ensina-me a confiar
em meu coração,
em minha mente,
em minha intuição,
na minha sabedoria interna,
nos sentidos do meu corpo,
nas benções de meu espírito.
Ensina-me a decifrar os meus sonhos,
e ver também, com o olho da alma,
Ensina-me a confiar nisso tudo,
para que eu possa entrar no meu Espaço Sagrado
e amar além de meu medo,
E dessa forma Caminhar em Equilíbrio
a cada passo do glorioso Avô Sol.
Munduruku em ação


O chefe da tribo
Os índios vivem em aldeias e, muitas vezes, são comandados por chefes, que são chamados de cacique, tuxánas ou morubixabas. A transmissão da chefia pode ser hereditária (de pai para filho) ou não. Os chefes devem conduzir a aldeia nas mudanças, na guerra, devem manter a tradição, determinar as atividades diárias e responsabilizar-se pelo contato com outras aldeias ou com os civilizados. Muitas vezes ele é assessorado por um conselho de homens que o auxiliam em suas decisões.
Alimento - pesca
Além de um conhecimento profundo da vida e dos hábitos dos animais, os índios possuem técnicas que variam de povo para povo. Na pesca, é comum o uso de substâncias vegetais (tingui e timbó, entre outras) que intoxicam e atordoam os peixes, tornando-os presas mais fáceis. Há também armadilhas para pesca, como o pari dos teneteharas - um cesto fundo com uma abertura pela qual o peixe entra atrás da isca, mas não consegue sair. A maioria dos índios no Brasil pratica agricultura.
Algumas tribos indígenas da Amazônia:
o Arara
o Bororo
o Gavião
o Katukina
o Kayapó
o Kulína
o Marubo
o Sateré - Mawé
o Yanomami
Arte
A arte se mistura a vida cotidiana. A pintura corporal, por exemplo, é um meio de distinguir os grupos em que uma sociedade indígena se divide, como pode ser utilizada como enfeite. A tinta vermelha é extraída do urucum e a azul, quase negro, do jenipapo. Para a cor branca, os índios utilizam o calcário. Os trabalhos feitos com penas e plumas de pássaros constituem a arte plumária indígena.
Alguns índios realizam trabalhos em madeira. A pintura e o desenho indígena estão sempre ligados à cerâmica e à cestaria. Os cestos são comuns em todas as tribos, variando a forma e o tipo de palha de que são feitos. Geralmente, os índios associam a música instrumental ao canto e à dança.
Ritos e mitos
No Brasil, muitas tribos praticam ritos de passagem, que marcam a passagem de um grupo ou indivíduo de uma situação para outra. Estes ritos se ligam a gestação e ao nascimento, à iniciação na vida adulta, ao casamento, à morte e a outras situações.
Poucos povos acreditam na existência de um ser superior (supremo), a maior parte acredita em heróis místicos, muitas vezes em dois gêmeos, responsáveis pela criação de animais, plantas e costumes.Fonte webciencia



A pintura corporal, para muito além do conteúdo estético possui finalidade mágico-simbólica, vinculada que está ao universo mítico-cosmológico da comunidade, além de, entre outras funções, servir de “carteira de identidade” de quem a exibe, ao revelar dados sobre sua etnia, posição e prestígio social, sexo, idade, filiação a esse ou àquele clã, estado civil, se participa de algum ritual, se se preparou para a guerra etc.

Araweté. Os Araweté (ou Bïde = nós, seres humanos, em oposição a awi, os outros, os inimigos), habitantes do Sul do Pará, não são mais de 300 na atualidade. Constantemente ameaçados por belicosos vizinhos ou pelo homem branco, o que os levou no passado a sucessivos deslocamentos, é compreensível que sua cultura material seja limitada. Pintam cabelos e corpo com o vermelho do urucum, e no rosto traçam em preto uma linha horizontal sobre as sobrancelhas, uma vertical de alto a baixo no nariz e duas diagonais que vão do lóbulo da orelha à comissura labial.
Maxakali. Nada melhor para explicar o papel da pintura corporal entre os Maxacali de Minas Gerais do que esse pequeno texto de um deles, Rafael Maxakali, explicando o namoro e o casamento entre seu povo: “Os Maxakali dançam, brincam, nadam e se pintam com urucum e jenipapo para ficarem bonitos e namorar. Mas como eles namoram? Os espíritos saem para cantar e dançar e cantam bonito. Então dançam com as mulheres. Mas aqueles (aqueles dois) no cantinho estão brincando e namorando também. Também namoram quando estão nadando, pintam o rosto, a perna e o braço com urucum, pintam-se para ficar bonitos”.

Dia do Índio




Dia do Índio

Foto: Daniel Munduruku Escritor indígena com 37 livros publicados,graduado em Filosofia, tem licenciatura em História e Psicologia. Doutorando em Educação na USP. Diretor presidente do INBRAPI-Instituto Indígena Brasileiro para Propriedade Intelectual, Comendador da Ordem do Mérito Cultural da Presidência da República e Pesquisador do CNPq. Membro da Academia de Letras de Lorena.

História do Dia do Índio

Comemoramos todos os anos, no dia 19 de abril, o Dia do Índio. Esa data foi criada em 1943, pelo presidente Getúlio Vargas, através do decreto lei nº 5540. Mas por que foi escolhida esta data?

Origem da data

Em 1940, no México, aconteceu o Primeiro Congresso Indigenista Interamericano. Onde líderes indígenas deste continente forma reunir-se para discutir suas necessidades, reivindicações. Porém, os índios não compareceram nos primeiros dias do evento. Mas no dia 19 de abril aconteceu uma participação muito grande de delegações, inclusive do Brasil ficando assim reconhecido em todo continente como um dia especial.

Comemorações e importância da data

Neste dia ocorrem vários movimentos dedicados à valorização da cultura indígena. Nas escolas os alunos pesquisam sobre a cultura indígena, os museus fazem exposições.

Devemos lembrar da sua importância para a preservação ambiental e direito a suas terras e cultura.







Dia do Índio


História do Dia do Índio



Comemoramos todos os anos, no dia 19 de Abril, o Dia do Índio. Esta data comemorativa foi criada em 1943 pelo presidente Getúlio Vargas, através do decreto lei número 5.540. Mas porque foi escolhido o 19 de abril?

Origem da data

Para entendermos a data, devemos voltar para 1940. Neste ano, foi realizado no México, o Primeiro Congresso Indigenista Interamericano. Além de contar com a participação de diversas autoridades governamentais dos países da América, vários líderes indígenas deste contimente foram convidados para participarem das reuniões e decisões. Porém, os índios não compareceram nos primeiros dias do evento, pois estavam preocupados e temerosos. Este comportamento era compreensível, pois os índios há séculos estavam sendo perseguidos, agredidos e dizimados pelos “homens brancos”.

No entanto, após algumas reuniões e reflexões, diversos líderes indígenas resolveram participar, após entenderem a importância daquele momento histórico. Esta participação ocorreu no dia 19 de abril, que depois foi escolhido, no continente americano, como o Dia do Índio.

Comemorações e importância da data
Neste dia do ano ocorrem vários eventos dedicados à valorização da cultura indígena. Nas escolas, os alunos costumam fazer pesquisas sobre a cultura indígena, os museus fazem exposições e os minicípios organizam festas comemorativas. Deve ser também um dia de reflexão sobre a importância da preservação dos povos indígenas, da manutenção

de suas terras e respeito às suas manifestações culturais.

Devemos lembrar também, que os índios já habitavam nosso país quando os portugueses aqui chegaram em 1500. Desde esta data, o que vimos foi o desrespeito e a diminuição das populações indígenas. Este processo ainda ocorre, pois com a mineração e a exploração dos recursos naturais, muitos povos indígenas estão perdendo suas terras.



Sugestão de leitura: A Iara e a poluição das águas.


Livro escrito por Samuel Murgel Branco, biólogo e naturalista, discute a importância da água para qualidade de vida dos seres humanos, animais e vegetais. A história é contada pela Iara, protetora das águas e Curupira, protetor das matas, personagens das lendas indígenas. Excelente leitura para incorporar o saber ao vivido, e os laços entre o conteúdo estudados e os valores humanos.

Para fazer downloads do livro acessar: http://espacoeducar-liza.blogspot.com



segunda-feira, 12 de abril de 2010

Brincar e aprender

Piaget e Vygotsky: Contribuições ao estudo do brincar
O lugar ocupado pelo brincar na dinâmica escolar fica restrito, muitas vezes, ao horário do recreio. Talvez este seja o único momento em que a brincadeira infantil seja vista como uma atividade. Mas, na verdade, ela é muito mais que isso: desenvolve a criatividade, permite a vivência para a aprendizagem, é uma atividade mediadora da criança com o mundo em que vive e é capaz de colocar em movimento vários processos do desenvolvimento infantil.

Vamos nos ater, mais especificamente, ao processo de a
prendizagem e nos referir, inicialmente, aos estudos de Jean Piaget. O teórico, que se dedicou ao estudo do desenvolvimento cognitivo das crianças, menciona dois conceitos básicos na construção do pensamento infantil, principalmente no que condiz à adaptação da criança a sua realidade: a assimilação e a acomodação. De acordo com o autor, a assimilação é o processo de incorporação de novas experiências ou informações que chegam à criança. Já a acomodação é o processo de modificação de suas idéias ou estratégias em função de uma nova experiência.

No decorrer da assimilação e da acomodação, q
ue ocorrem concomitantemente, podemos considerar a atividade lúdica como uma ferramenta integradora no desenvolvimento do conhecimento, que permite que a criança expresse e compreenda o mundo - no qual ela terá de se inserir e, possivelmente, o qual terá que transformar - que se apresenta a ela. Assim, podemos considerar que o brincar é uma forma importante de intervenção no campo da saúde mental, contribuindo de maneira significativa para o desenvolvimento da cognição, da linguagem, da área motora e da área social da criança.

Outro autor que também se dedicou ao estudo e à pesquisa das relações entre o desenvolvimento e a aprendizagem foi Vygotsky. O psicólogo russo atribuiu enorme importância ao papel da interação social no desenvolvimento do ser humano. Uma das contribuições mais significativas das teses que formulou está na tentativa de explicitar como o processo de desenvolvimento é socialmente construído. Essa é a principal razão de seu interesse no estudo da infância e da atividade lúdica expressa pelas crianças.

Para Vygotsky, o brinquedo é uma importante fonte de promoção do desenvolvimento. O termo "brinquedo" se refere à atividade, ao ato de brincar, mais especificamente ao jogo de papéis ou à brincadeira de "faz-de-conta", isto porque já temos a atuação do simbólico, do processo de abstração das idéias.

De acordo com o autor, com o brinquedo a criança aprende a atuar numa esfera cognitiva que depende de motivações internas. Nessa fase (idade pré-escolar) ocorre uma diferenciação entre os campos de significado e de visão. O pensamento, que antes era determinado pelos objetos do exterior, passa a ser regido pelas idéias. A criança brinca pela necessidade de agir em relação ao mundo mais amplo dos adultos e não apenas ao universo dos objetos a que ela tem acesso. Pelo brinquedo, a criança projeta-se nas atividades dos adultos e procura ser c
oerente com os papéis assumidos.
Anriet Barros de Siqueira e Mira Carla Prado de Noronha**Anriet Barros de Siqueira e Mira Carla Prado de Noronha são psicólogas e coordenadoras do PROCAE

Profª Tânia Fortuna, afirma que " brincar não é brincadeira, é sério".

Em defesa da imaginação


Donald Winnicott, médico pediatra picanalista inglês enfatizou a importância do brincar e de criar para acriança.
O acolhimento adequado pode, portanto, ajudar uma criança regida por um self falso - geralmente boazinha e obediente - a se tornar mais espontânea. "No entanto, é preciso que a escola aceite as temporadas de 'mau comportamento'." Trata-se de adotar sempre uma postura tolerante e criar condições para que a criança desfrute de liberdade. Nada mais importante, nesse sentido, do que o papel da brincadeira - fundamental para Winnicott, não apenas na infância, por misturar e conciliar o manejo do mundo objetivo e a imaginação. "Brincar pressupõe segurança e criatividade", diz Winnicott. "Crianças com problemas emocionais graves não brincam, pois não conseguem ser criativas."
A escola tem a obrigação de ajudar a criança a completar essa transição do modo mais agradável possível, respeitando o direito de devanear, imaginar, brincar", prossegue o psicanalista. O respeito que os pequenos terão pela objetividade será incorporado por eles, jamais imposto de fora para dentro. Quando livres para criar, eles, segundo Winnicott, vêem no estudo um modo de exercitar o poder de invenção. Se, no entanto, o ambiente escolar não for aberto à brincadeira, "os recreios serão tanto mais selvagens quanto as aulas forem mais opressoras ou supostamente sérias". Pensadores-Revista Nova Escola - dez/2008